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domingo, 17 de janeiro de 2016

A fala de Dilma sobre pedalada e cinto de segurança é tão despropositada que nem errada chega a ser





Por: Reinaldo Azevedo  

A comparação é um tolice na essência e na contingência.

Mas que se note: ela admite a transgressão



A presidente Dilma Rousseff costuma dizer coisas incompreensíveis. Vejam a declaração que deu sobre a CPMF. Atropela a economia, a sintaxe e o bom senso.

Mas a coisa pode ser pior quando a gente entende o que quis dizer — isto é, quando a sintaxe está minimamente ordenada. Ao negar que o governo tenha cometido ilegalidades no caso das pedaladas, ela se saiu com este juízo espantoso:
“Não reconhecemos o erro porque, quando você não usa cinto de segurança, quando o cinto de segurança não era previsto na legislação, os 200 milhões de brasileiros não estavam cometendo nenhum equívoco. Simplesmente a legislação não previa. A mesma coisa aconteceu com o governo.”

O cinto, ainda o de duas pontas, só passou a ser obrigatório no Brasil em 1994, quando o Brasil tinha 159,4 milhões de pessoas, não 200 milhões. E os carros eram apenas 12.570.092. Que importância isso tem? Ora, a importância que devem ter os dados. Já que a comparação feita por Dilma é falsa em essência, cumpre evidenciar que ela é falsa também na contingência: 200 milhões não estariam cometendo equivoco nenhum porque não havia esse número de brasileiros. E, entre os quase 160 milhões, os carros eram menos de 13 milhões.

Faço esse tipo de observação só para cobrar que governantes pensem um pouco melhor no que dizem. Mas agora vamos à essência, demostrando por que o raciocínio de Dilma viola os conceitos mais comezinhos de uma República.

Texto de Reinaldo Azevedo (Direitos Autorais). Leia a íntegra no BLOG DA VEJA

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