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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Investigações da Lava Jato: dois pesos e duas medidas, por Marcelo Auler

 
Marcelo Auler - Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015


Gratidão, por si só, já é uma bênção que deve ser praticada sempre, é o que nos diz o senso comum. Mas gratidão também possui poderes, físicos e metafísicos, afirmam pesquisadores. O que envolve identificar e valorizar, em meio a todas as adversidades, os aspectos positivos da vida. Gratidão diária é uma maneira fácil de melhorar a saúde cardíaca, revela estudo feito nos Estados Unidos. Saiba mais sobre o trabalho e leia também: "Gratidão atrai abundância". Ou seja, não falta material para reflexão, nessa chegada de Ano Novo, tradicional época de resoluções. No site Ciclo Vivo - Ter um coração grato é sinônimo de ter um coração saudável. Esta é a conclusão a que um grupo de pesquisadores da Associação Americana de Psicologia chegou após realizar um estudo com 186 pessoas que já tiveram alguma enfermidade cardíaca. A fase de análise levou oito semanas. Durante este período os pacientes foram testados, tiveram que cumprir tarefas e foram observados por especialistas. "Descobrimos que o aumento da gratidão por parte dos pacientes foi associado diretamente a um melhor estado de espírito, melhor sono, menos fadiga e níveis mais baixos de indícios inflamatórios relacionados com a saúde cardíaca", explicou Paul J. Mills, principal autor do estudo, PhD e professor de Medicina Familiar e Saúde Pública na Universidade da Califórnia. A gratidão está constantemente ligada a aspectos espirituais, no entanto, os especialistas garantem que a espiritualidade por si só não reflete os mesmos efeitos. Para eles, esta não é a única forma de ser grato e de perceber os benefícios deste ato em diferentes áreas. A gratidão envolve identificar e valorizar os aspectos positivos da vida. Ela pode ser atribuída a uma fonte externa, como um animal de estimação, a outra pessoa ou a um ser não-humano. Para a realização do estudo, os pesquisadores escolheram pacientes que já foram diagnosticados com insuficiência cardíaca do tipo B, durante, pelo menos, três meses. Esse grupo inclui pessoas que desenvolveram doença cardíaca estrutural, um ataque que danificou o coração, por exemplo, mas não demonstram sintomas de insuficiência cardíaca, como cansaço ou falta de ar. A opção deve-se ao fato de essas pessoas serem mais propensas a evoluírem para o tipo C, que tem um risco de morte cinco vezes maior. A partir de testes psicológicos padronizados, os pesquisadores pontuaram os níveis de gratidão e bem-estar. Assim sendo, foi possível realizar um comparativo entre os resultados dos pacientes. As pessoas que tiveram melhor pontuação, ou seja, que eram mais gratas, apresentaram melhor humor, qualidade no sono, melhor auto recuperação e menos inflamações. Os testes foram feitos da seguinte forma: durante oito semanas, os pacientes precisavam escrever, diariamente, três razões pelas quais eles eram gratos. Durante este período eles também receberam atendimento regular. Após a experiência, a conclusão de Mills é bastante simples: "Parece que um coração mais grato é realmente um coração mais saudável e a gratidão diária é uma maneira fácil de melhorar a saúde cardíaca".
Extraído de CONEXÃO JORNALISMO, Colunista: Marcelo Auler

Gratidão deixa o coração mais saudável, diz pesquisa

Gratidão deixa o coração mais saudável, diz pesquisa
Da Redação - Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015
Gratidão, por si só, já é uma bênção que deve ser praticada sempre, é o que nos diz o senso comum. Mas gratidão também possui poderes, físicos e metafísicos, afirmam pesquisadores. O que envolve identificar e valorizar, em meio a todas as adversidades, os aspectos positivos da vida. Gratidão diária é uma maneira fácil de melhorar a saúde cardíaca, revela estudo feito nos Estados Unidos. Saiba mais sobre o trabalho e leia também: "Gratidão atrai abundância". Ou seja, não falta material para reflexão, nessa chegada de Ano Novo, tradicional época de resoluções. No site Ciclo Vivo - Ter um coração grato é sinônimo de ter um coração saudável. Esta é a conclusão a que um grupo de pesquisadores da Associação Americana de Psicologia chegou após realizar um estudo com 186 pessoas que já tiveram alguma enfermidade cardíaca. A fase de análise levou oito semanas. Durante este período os pacientes foram testados, tiveram que cumprir tarefas e foram observados por especialistas. "Descobrimos que o aumento da gratidão por parte dos pacientes foi associado diretamente a um melhor estado de espírito, melhor sono, menos fadiga e níveis mais baixos de indícios inflamatórios relacionados com a saúde cardíaca", explicou Paul J. Mills, principal autor do estudo, PhD e professor de Medicina Familiar e Saúde Pública na Universidade da Califórnia. A gratidão está constantemente ligada a aspectos espirituais, no entanto, os especialistas garantem que a espiritualidade por si só não reflete os mesmos efeitos. Para eles, esta não é a única forma de ser grato e de perceber os benefícios deste ato em diferentes áreas. A gratidão envolve identificar e valorizar os aspectos positivos da vida. Ela pode ser atribuída a uma fonte externa, como um animal de estimação, a outra pessoa ou a um ser não-humano. Para a realização do estudo, os pesquisadores escolheram pacientes que já foram diagnosticados com insuficiência cardíaca do tipo B, durante, pelo menos, três meses. Esse grupo inclui pessoas que desenvolveram doença cardíaca estrutural, um ataque que danificou o coração, por exemplo, mas não demonstram sintomas de insuficiência cardíaca, como cansaço ou falta de ar. A opção deve-se ao fato de essas pessoas serem mais propensas a evoluírem para o tipo C, que tem um risco de morte cinco vezes maior. A partir de testes psicológicos padronizados, os pesquisadores pontuaram os níveis de gratidão e bem-estar. Assim sendo, foi possível realizar um comparativo entre os resultados dos pacientes. As pessoas que tiveram melhor pontuação, ou seja, que eram mais gratas, apresentaram melhor humor, qualidade no sono, melhor auto recuperação e menos inflamações. Os testes foram feitos da seguinte forma: durante oito semanas, os pacientes precisavam escrever, diariamente, três razões pelas quais eles eram gratos. Durante este período eles também receberam atendimento regular. Após a experiência, a conclusão de Mills é bastante simples: "Parece que um coração mais grato é realmente um coração mais saudável e a gratidão diária é uma maneira fácil de melhorar a saúde cardíaca".


Extraído de CONEXÃO JORNALISMO, Colunista: A Redação

Para merecer 2016 por Aécio Neves


Aécio Neves - 28/12/2015 02h00

É inacreditável, mas no apagar das luzes de 2015, vimos reprisado um velho filme que a nação não suporta mais assistir. Estamos falando de mais um ataque frontal à legislação em vigor no país. Vamos aos fatos. O governo federal violou de forma deliberada e intencional os princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal, fraudando ostensivamente o Orçamento da União, o que levou ao descalabro das contas públicas em 2015. Quem assim atestou, por unanimidade, foi o Tribunal de Contas da União, entendendo que as contas fiscais do governo federal de 2014 continham irregularidades que feriram preceitos constitucionais, a Lei Orçamentária e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Esta é a realidade nua e crua que a nação conhece muito bem. O parecer do relator da Comissão Mista do Orçamento, ao recomendar ao Congresso a aprovação das contas da presidente, contraria o parecer técnico do TCU, que mostra, com clareza, que o governo federal cometeu diversos atos ilegais, inclusive contra a Constituição. É um retrocesso com o qual não podemos compactuar. O quadro de aparente contradição criado pelo parecer em questão é propício ao governo que acaba de empreender mais uma de suas piruetas. Para quitar a conta em atraso das pedaladas fiscais –manobras em que os bancos públicos foram utilizados para pagar despesas orçamentárias, criando uma ilusão contábil que mascara o déficit nas contas públicas– o comando petista vem a campo com os seus velhos artifícios. No vácuo do recesso parlamentar e das festas de fim de ano, o governo editou uma medida provisória autorizando o uso do saldo financeiro da conta única do Tesouro Nacional para pagar despesas primárias em atraso, o que viola o artigo 8º da LRF. Este saldo deveria ser usado apenas para o pagamento de dívida pública. Sei que esse tema soa secundário para muitos. Afinal, diante do drama da saúde pública do país, diante da realidade que esmaga diariamente o sonho de milhões de brasileiros, questões como essa podem parecer sem importância, afeitas apenas ao mundo político. Não são. Na mesma semana em que tenta sinalizar responsabilidade e transparência ao país e ao mundo, o governo patrocinou nova manobra que tem como consequência imediata o aumento da desconfiança dos investidores e da sociedade. Continuamos tendo dois governos: o do discurso e o da realidade. Esse foi um ano especialmente difícil. Para merecermos um ano melhor, é imprescindível que sejamos capazes de preservar e aperfeiçoar tudo o que assegura a qualidade da nossa democracia. Isso significa defender o cumprimento das leis. Meu compromisso com o Brasil não se curva. Torço para que o seu também não. Com muita esperança, Feliz 2016! 

Extraído de FOLHA DE SÃO PAULO, Colunista: Aécio Neves

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Brasil fracassa como nação ao proibir a Fosfo para pacientes com câncer Por Rogério Imbuzeiro




Se uma doença terrível extermina regularmente muitos membros de uma tribo, desde os mais velhos até os mais novos, e se um improvável pajé descobre uma mistura de ervas e raízes com potencial para frear essa devastação de vidas, o que faz a tribo, o que decide seu cacique? Provavelmente, se for uma tribo dotada de sabedoria, decidirá que a prioridade absoluta a partir daquele momento será montar a melhor estrutura possível para que o pesquisador possa desenvolver seu trabalho e comprovar a eficácia da medicação. Ao mesmo tempo, todas as pessoas ameaçadas pela doença, especialmente aquelas que estejam na iminência de morrer, terão o direito de usar a substância, já que trata-se da última esperança de continuarem vivas. Isto será feito porque elas são pessoas importantes para a tribo - ou não são? Estas medidas serão adotadas em regime de urgência porque é fundamental para a tribo que essas pessoas permaneçam vivas - ou não é? Perguntem à presidenta da República e ao governador de São Paulo, perguntem à Mídia e à Justiça, perguntem ao Brasil. Entre os pacientes de câncer e os defensores da Fosfoetanolamina Sintética é senso comum que, se quisessem, nossas autoridades-top já teriam dado um basta nessa situação dramática, trágica, que nos envergonha e revolta. Por que, na nossa tribo de 200 milhões de habitantes, a possibilidade real de cura do câncer não é tratada como uma prioridade máxima? O que poderia ser mais importante do que isso? Não são dez, cem ou mil vítimas: somente em 2015, tivemos mais de 550 mil novos casos da doença no Brasil. Em 2014, foram outros 500 mil. Em 2016, teremos novamente mais de meio milhão de brasileiros com câncer, segundo estimativas oficiais. - Mas de um modo geral o assunto continua a ser tratado como um "patinho feio" do noticiário. À exceção de alguns poucos veículos de comunicação, a maioria de pequeno porte, a impressão que temos é de que fala-se da Fosfoetanolamina Sintética apenas quando é absolutamente inevitável, e mesmo assim a contragosto, com preguiça e má vontade. Por quê? Procura-se uma resposta, que pode ser complexa. Dilma, Alckmin & Cia Foram pelo menos dois meses de silêncio e omissão dos governantes, numa aparente torcida oficial para que o movimento pela liberação da Fosfo perdesse força, pelo cansaço, e tudo fosse devidamente esquecido. Só depois de muita insistência, pressão e cobrança nas redes sociais, que resultaram nas audiências públicas realizadas no Senado e na Câmara, é que as autoridades federais e do estado de São Paulo viram-se obrigadas a sair da toca para demonstrar algum (suposto) interesse pela causa. Em relação à Dilma Rousseff, até pode-se alegar que neste semestre a presidenta esteve tão preocupada em salvar a própria pele, desestabilizada e atacada de todos os lados, que ela pode mesmo ter ficado sem saber que existia a Fosfo. Mas, e seu batalhão de assessores? E a turma toda do Ministério da Saúde? Nada?! Nem uma palavra sobre a substância? Nem uma mínima demonstração de solidariedade com os pacientes, suas famílias e seus amigos? Não é admissível que, a essa altura, Dilma ainda não saiba da Fosfoetanolamina Sintética. Por que, então, principalmente neste período de "festas" de fim de ano, nenhuma palavra de conforto ou consideração dirigida a esses milhões de brasileiros que sofrem? Espera-se isso de quem comanda uma nação - ou será que já não espera-se mais? Um remédio muito barato - sem efeitos colaterais, segundo milhares de pacientes que já usaram os comprimidos Um remédio muito barato - sem efeitos colaterais, segundo milhares de pacientes que já usaram os comprimidos E quanto a Geraldo Alckmin, responsável direto pela suspensão da produção e distribuição dos comprimidos? Será que ele e sua esposa, bombardeados diariamente em suas páginas no Facebook, conseguem dormir com a consciência tranquila sabendo que foram as autoridades paulistas que mataram a esperança de milhares de pessoas que lutam contra o câncer? Sabendo, também, que muitas delas têm morrido sem ter tido a chance de tomar um comprimido sequer da Fosfo que tanto desejavam? Talvez, se não fosse pela suspensão das liminares, alguns dos pacientes que morreram nas últimas semanas tivessem conseguido passar mais um Natal com suas famílias. Quem sabe se eles não estariam aqui ainda, para celebrar a chegada de 2016... Francamente: se um acontecimento com as proporções da descoberta da Fosfoetanolamina Sintética, que começa a ganhar projeção internacional, não é capaz de sensibilizar de imediato os governantes citados, é a confirmação de que nossa política realmente perdeu muito da sua razão de ser. Tanto os estudos que começaram agora a ser desenvolvidos pelo grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde, quanto os testes anunciados para o primeiro trimestre de 2016 pelo governo Alckmin, são projetos de médio a longo prazo. Não possuem o caráter emergencial que a situação exige.

O sentido da vida
Quase todos os seres humanos, em algum momento da jornada ou mesmo com certa frequência, olham para dentro de si e se perguntam: "Qual o sentido da existência - da minha existência?" Sociedades também deveriam refletir e se perguntar, de vez em quando, qual o sentido dessa joça toda, efêmera e mutante, extraordinária e terrível. O que temos feito da vida, coletivamente? A vida tem sido engrandecida e valorizada em nosso país ou a temos tratado como uma banalidade, uma futilidade, uma coisa qualquer? - Ok, não vamos ser ingênuos e simular espanto demasiado com essa indiferença dominante em relação aos doentes de câncer e sua possibilidade de cura. Estamos cercados de organizações mafiosas e todos os dias o Brasil confirma que tende a ignorar o sofrimento e as necessidades de milhões de crianças, idosos, trabalhadores desempregados, representantes de minorias, desvalidos em geral: o agravamento da crise acirra o "salve-se quem puder". Embora a cada ano tenhamos novas conquistas sociais para celebrar, nos últimos tempos o que temos visto de maneira mais incisiva é a expansão do ódio, da roubalheira, da covardia e do egoísmo. Portanto, o descaso com a Fosfo nem deveria surpreender tanto assim. Contudo, estamos falando de câncer, doença estigmatizada cujo nome evitou-se e ainda evita-se falar, como sendo o maior dos males - mas que deve ser encarado de frente. Os avanços da Medicina têm sido muito significativos nessa área, ao mesmo tempo em que o número de vítimas aumenta sem parar. Neste cenário, a Fosfoetanolamina Sintética, com o grande número de depoimentos e testemunhos de pacientes e pesquisadores que apontam seus benefícios, merecia receber de todos os brasileiros uma atenção muito maior, diferente da frieza, da arrogância e até do deboche que têm prevalecido. A não ser que o valor da vida tenha se perdido definitivamente em nossa terra.

Cada vida é sagrada 
Uma frase que marcou época, atribuída ao jornalista e escritor Otto Lara Resende, dizia: "O mineiro só é solidário no câncer". Diante do que temos visto, alguém poderia atualizá-la e afirmar: "Os brasileiros não são mais solidários nem no câncer". Um exagero, felizmente. Porque também temos visto, de agosto para cá, o crescimento irrefreável de uma multidão (de famosos e anônimos) que tem se manifestado em defesa da Fosfo, nos grupos dedicados à substância na Internet, aqui no site e em nossa página no Facebook, nas ruas através de protestos e passeatas, país afora. Uma legião cada vez maior de pessoas teima em desmentir a manchete deste artigo: "Brasil fracassa como nação ao proibir a Fosfo para pacientes com câncer". Sim, fracassamos, pelos motivos expostos acima. Mas a luta continua. Muita gente tem despertado de sua insensibilidade e falta de conhecimento, para se juntar àqueles que pressionam as autoridades. Acreditamos que, acima das leis, burocracias e interesses mesquinhos, em breve irá prevalecer a Justiça. O pleno valor do Ser Humano.

Extraído de  CONEXÃO JORNALISMO, Por Rogério Imbuzeiro

Todos os homens de Dilma por Reinaldo Azevedo











Reinaldo Azevedo - 18/12/2015 02h00




Convém que a gente não tente fingir que a quarta (16) e a quinta-feira (17) foram dias convencionais. No STF, Edson Fachin, o relator das ações do PCdoB contra o rito do impeachment, contrariava as expectativas do governo e da Procuradoria-Geral da República, num esforço, pareceu-me, para preservar o tribunal da arruaça que toma conta do Executivo, do Legislativo e de outros entes. Infelizmente, arruaceiros chegaram à corte suprema. Nas ruas, as esquerdas gritavam em favor dos crimes de Dilma e do PT e contra os de Eduardo Cunha. São quem são. Nem bem o relator terminava a leitura do seu voto no STF, Rodrigo Janot dava à luz uma ação cautelar de 190 páginas –redigida, pois, havia muito– pedindo o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara. Tivesse Fachin facilitado as coisas para Dilma, estou certo de que Janot teria engavetado o calhamaço. A arruaça já chegou à PGR. Na terça (15), a Operação Lava Jato já tinha dado outro presente de aniversário a Dilma: a fase dita "Catilinárias", destinada a pegar o PMDB. Pergunta silenciosa: "Vocês ainda querem o impeachment?". Enquanto Fachin lia seu voto, o mercado punha preço no rebaixamento da nota do Brasil, desta feita pela Fitch. Pergunta ruidosa: vocês ainda querem Dilma? Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, por sua vez, se encarregava de tentar quebrar a espinha do PMDB junto a Leonardo Picciani (PMDB-RJ), e atacava Michel Temer. O senador, que já tem lugar na fila da guilhotina, fazia mais um esforço desesperado para prestar um serviço ao Planalto. Dilma e seus generais vão atropelando tudo o que encontram pela frente. Contam com Renan e com Janot para destruir o PMDB, condição necessária da sobrevivência do governo. Contam com alguns ministros no Supremo para rasgar a Constituição. Só chama de "Catilinárias" uma operação destinada a golpear o partido que se tornou o principal adversário do PT quem faz uma leitura errada de Catilina e de Eduardo Cunha... Se é para submeter a história a aggiornamentos, prática cretina, Catilina vive hoje em Guilherme Boulos, por exemplo, não em Cunha. Em termos contemporâneos, o senador romano encarnava a esquerda demagoga. Na ideologia, mas não no estilo, o presidente da Câmara estaria mais para Cícero. E também vai perder a cabeça. O erro de história comparativa trai, no entanto, um alinhamento da Lava Jato com as forças em disputa no presente. Quando o maior partido do país é associado por investigadores a uma "conspiração contra a República", é forçoso reconhecer que essa frente investigativa está fazendo uma escolha política. "Então não era para investigar ninguém do PMDB?". Por mim, que se investigue até o Santo Sepulcro! Repudio é oportunismo e Justiça seletiva. Não custa lembrar: não sendo o PMDB a triunfar (Janot e Luís Barroso não querem), então será Dilma mesmo. Alguém, a sério, acha que o país suporta mais três anos sem passar por esgarçamentos perigosos? Nota: nem os ditos "intelectuais de manifestos" apostam nisso. Mas eles são esquerdistas e anseiam justamente por disrupções. Na sua mente perturbada, elas fazem avançar "a luta". Talvez com um pouco de sangue... Com o que talvez concordem alguns togados. Se Dilma renunciasse à sua vaidade, certamente renunciaria também ao cargo. A crise política já arranha, sim, as instituições. A arruaça chegou à PGR. A arruaça chegou ao Supremo. Em nome do "útil, do oportuno e do conveniente". PS: Tiro três semanas de folga. Se a Folha não mudar de ideia, volto no dia 11 de janeiro. Facebook: on.fb.me/1SVhuvw 

From FOLHA DE SÃO PAULO, Colunista: Reinaldo Azevedo

ESPERTEZAS por Alexandre Schartsman


Alexandre Schartsman 30/12/2015  02h00



Normalmente deixaria para minha última coluna de 2015 alguma reflexão sobre o ano que passou, ou algo sobre o que virá, mas, como a usina de más ideias não parece —diferentemente de tantas outras— estar em férias coletivas, não tenho alternativa que não examinar mais uma bobagem em gestação. Há, segundo Fernando Rodrigues, estudos por parte da equipe econômica para elevar a meta de inflação dos atuais 4,5% para 5,5%. O motivo não poderia ser menos nobre. O BC já havia deixado claro na ata do Copom do final de novembro (e reiterado a mensagem no Relatório Trimestral de Inflação divulgado na semana passada) que, muito embora tenha (mais uma vez) adiado a convergência da inflação para a meta para 2017, "adotará as medidas necessárias (...) [para] trazer a inflação o mais próximo possível de 4,5% em 2016, circunscrevendo-a aos limites estabelecidos pelo CMN (...)". Em outras palavras, não quer permitir que a inflação ultrapasse novamente o limite superior do intervalo em torno da meta, 6,5%. Dado, porém, que as expectativas para 2016 já se encontram em quase 7% (o Banco Central projeta pouco mais que 6%, mas seu histórico de previsões não sugere que devamos acreditar nisto), entre as "medidas necessárias" se encontra muito provavelmente novo ciclo de elevação da taxa de juros, a se iniciar em janeiro. Assim, ao elevar a meta de 4,5% para 5,5%, o limite superior passaria de 6,5% para 7,5%, esperteza que, de acordo com os idealizadores da proposta, tiraria do BC o ônus de subir a taxa Selic. Como se costuma dizer, todo problema complexo tem uma solução simples e, obviamente, errada. A proposta implicitamente pressupõe que as expectativas dos agentes econômicos se manteriam inalteradas, mesmo após o anúncio de nova informação, isto é, que, mesmo sabendo que o BC passaria a perseguir um alvo distinto (e, para deixar claro, o alvo a que me refiro não é a meta, mas seu limite superior), as pessoas passivamente ignorariam esta valiosa informação ao negociarem seus salários ou definirem seus preços. Posto de outra forma, a ideia de que se pode evitar o aumento de juros por meio da elevação da meta para a inflação se baseia na noção que pessoas são incapazes de entender o que está ocorrendo. Não chega a ser surpreendente, pois vem do mesmo tipo de "economista" que acredita que indivíduos têm que ser tratados como crianças, tutelados pelo "papai Estado". A adoção de tal medida, porém, levará justamente ao contrário do esperado pelos autores da proposta. As expectativas de inflação (e não apenas para 2016) irão subir refletindo a nova informação. Por causa disso, salários e preços subirão mais do que fariam caso a meta tivesse sido mantida, acelerando adicionalmente a inflação e o BC será obrigado a elevar ainda mais a taxa de juros (ou a aceitar inflação mais alta). Um caso clássico de tiro que saiu pela culatra, apenas mais um entre tantos que tivemos o privilégio de testemunhar nos últimos anos. O regime de metas para a inflação está em vigor desde 1999, tempo mais do que bastante para que o entendimento acerca de seu funcionamento já estivesse suficientemente difundido de forma a evitar que propostas como esta viessem à luz do sol. Mas não: erradicar o analfabetismo econômico é tarefa que não cessa.

Extraído de  FOLHA DE SÃO PAULO, Colunista: Alexandre Schwartsman